A Traíra e a aliança
Em uma manhã bastante fria, cansado e com sono
sai para pescar em um lago de uma fazenda.
Chegando lá teria que andar cerca de um
quilômetro, debaixo de uma chuvinha chata,
para alcançar o açude. Tudo seria recompensado.
Afinal, o local era repleto de boas histórias de pesca.
Cheguei às margens da lagoa as 6h13. A temperatura
parecia ter abaixado mais ainda. Àquela altura já não
estava mais tão confiante.
Preparei a tralha e dei início a aventura. Foram várias
tentativas e nada.
Meu amigo Hideo pegou três artificiais esquisitas
em formato de um patinho amarelo, com uma
pequena e perigosa garatéia embaixo.
Quando vi que ele estava começando a apelar
para qualquer coisa, voltei para o carro para dormir.
De repente, meu amigo trava uma enorme traíra.
De longe dava para ver a “bocarra enorme”.
Animado voltei, peguei um patinho e arremessei.
Não deu outra. Peguei outra traíra só que muito maior
. Para minha surpresa o patinho amarelo funcionou.
Paramos de pescar as 10 h, com cinco belas traíras cada um.
Enquanto desmontava o equipamento vejo a mamãe pata
entrando no lago gelado com seis filhotes amarelinhos
Foram seis ataques vorazes e rápidos. Não deu tempo
da mamãe pata ensinar a primeira lição aos filhotes.
Todos sumiram na água fria, restou apenas as penas
boiando
Do outro lado, um bezerrinho foi tomar água. Mais
um estrondo na água e o animal saiu com um machucado
enorme na boca. Não acreditava no que estava vendo: os
bois desistindo de tomar água, muitos deles já com o
beiço cortado.
No caminho de volta, Dona Cida, a mulher do caseiro,
convidou para almoçar. Eu ofereci a ela duas traíras
De repente, um grito vem da cozinha, seguido de
risos de contentamento.
-“Achei! Minha aliança perdida, que alegria!
” repetia sem parar Dona Cida.
“- Onde estava?” pergunto.
“- Na barrigada da traíra maior, presa num ossinho”.
Sem entender como ela tinha ido parar lá, dona Cida
foi falando sem parar, até explicar como tinha perdido.
Ela disse que há dois meses quando jogava quirera no
terreiro o anel escapou do dedo.
Então, chegamos a conclusão que algum daqueles
patinhos ou alguma galinha deve ter comido a
aliança sem querer. Depois foi nadar ou tomar
água no lago e acabou sendo devorada pelas traíras.
Lá pelas 17h fomos embora e Dona Cida, com a mão
na orelha do lado esquerdo pergunta:
“- Semana que vem, o dono da fazenda vai levar
uns bois para Barretos. Vocês não querem
pescar de novo?”
“- Claro”, falando junto com o meu amigo.
Dona Cida completa: “Quem sabe vocês não
pescam a traíra que levou meu outro brinco...”
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